Homens: o que somos, afinal?
Os homens que aqui estão
São plurais demais aos olhos puros;
Em pontos difusos, em metros dispersos e ásperos,
São todos eles compostos e indispostos;
São incrédulos e prepotentes.
São médios, enfim...
São medidas sem mensuração,
E cabem na palma leve de uma mão.
Seja ela pequena – de menina –,
Seja ela gigante – de uma mãe –;
Não há tamanho que não o segure,
Que o prenda em sua exatidão.
O homem só carece de atenção.
Felipe Fortes
Palavras ao vento
O arrolho das pombas ecoa na cidade
Por entre as veredas cinzentas,
Deixa-nos um preâmbulo de inquietude
E defende os males do mundo;
São pequenas demonstrações da inverdade
Que à vida são assistidas,
E tão brutas quanto à disfunção
De nossas vidas...
Felipe Fortes
A cidade e o espelho
Na imensidão deste cinza
Esconde-se a escuridão;
Suas partes tão profundas
Perdem-se como ninfas
Delgadas que saltam em ruas
Imundas...
E nestas ruas são tomadas
Suas juventudes aos porres
De servos pobres,
De operários do labor moderno.
Na imensidão deste cinza,
A falta do verde e do azul
Ultrapassa-nos a vista
E cega-nos com firmeza,
A dissipar nosso sofrimento
Contrapondo nossa autista
Estima de vida.
Na imensidão deste cinza,
Na alvura deste verão,
São tantos os sóis brandos
Que nos ventos insanos
Arrasam os sermões
Do meio-dia
E os preâmbulos
Das estações...
Na imensidão deste cinza,
Fuligem mistura-se à neve,
E move-nos de leve
Ao abismo da noite,
Da noite que irá escurecer,
Da noite que irá escurecer...
Felipe Fortes
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