Curto poema XIII

 

Homens: o que somos, afinal?

 

Os homens que aqui estão

São plurais demais aos olhos puros;

Em pontos difusos, em metros dispersos e ásperos,

São todos eles compostos e indispostos;

São incrédulos e prepotentes.

São médios, enfim...

São medidas sem mensuração,

E cabem na palma leve de uma mão.

Seja ela pequena – de menina –,

Seja ela gigante – de uma mãe –;

Não há tamanho que não o segure,

Que o prenda em sua exatidão.

O homem só carece de atenção.

 

Felipe Fortes

Curto poema XII

 

Palavras ao vento

 

O arrolho das pombas ecoa na cidade

Por entre as veredas cinzentas,

Deixa-nos um preâmbulo de inquietude

E defende os males do mundo;

São pequenas demonstrações da inverdade

Que à vida são assistidas,

E tão brutas quanto à disfunção

De nossas vidas...

 

Felipe Fortes

Curto poema XI

 

A cidade e o espelho

 

Na imensidão deste cinza

Esconde-se a escuridão;

Suas partes tão profundas
Perdem-se como ninfas

Delgadas que saltam em ruas

Imundas...

E nestas ruas são tomadas

Suas juventudes aos porres

De servos pobres,

De operários do labor moderno.

 

Na imensidão deste cinza,

A falta do verde e do azul

Ultrapassa-nos a vista

E cega-nos com firmeza,

A dissipar nosso sofrimento

Contrapondo nossa autista

Estima de vida.

 

Na imensidão deste cinza,

Na alvura deste verão,

São tantos os sóis brandos

Que nos ventos insanos

Arrasam os sermões

Do meio-dia

E os preâmbulos

Das estações...

 

Na imensidão deste cinza,

Fuligem mistura-se à neve,

E move-nos de leve

Ao abismo da noite,

Da noite que irá escurecer,

Da noite que irá escurecer...

 

Felipe Fortes

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