O surgimento
Cresce um palmo por dia.
E sobe em vastos galhos,
Cercando o espaço vazio
Antes habitado por nada;
Somente vislumbrava-se
Os ares do gélido inverno...
E os pássaros montam teus
ninhos, e alimentam-se
De tuas próprias folhas;
Abriga, ainda, pequenas
Formas de vida, tangíves,
Somente, aos turvos olhos
Lacônicos dos pequenos
Seres que saem dos ovos
A buscar os primeiros
Encrementos de sua nova
Estrutura temporal.
Serve, ademais, de chama,
Quando chamada à combustão
Para aquecer os pés
De guerreiros e lobos
Famintos, que buscam
Rechaçar a fálica solidão
Com suas ramas e gravetos;
Permanece, sempre,
Nas telas umidecidas
Para levar teus traços
À eternidade...
Felipe Fortes
As aspas
A René Decartes
Sugiro, meu caro,
Que abra aspas em cada fala tua;
Faça uso de retalhos ortográficos
Em vez de esmerar-se em números.
Seja insípido,
E mostre a sutileza de teu ser.
Imagine-se grande, então;
Mas a pequenez que o invade
Deixe a nós florescer.
E, enfim, quando fechar as aspas,
Novamente, encerre-se,
Imaculado ou infindo.
Deixe-se sorver
Na dúvida do amanhecer.
Felipe Fortes
O rio
(O rio seguia a fluidez de seu curso.
E cruzava fronteiras sem pestanejar.
Era essencialmente brasileiro,
Tão vivo e tão imenso...)
Felipe Fortes
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