Curto Poema VII


Temos saudades

Temos saudades,
Pois possuímos um pedaço de quem se vai em nosso coração.
E ele, como pulsante e não pensador,
Apega-se a esse pedaço como se fosse o todo existente.
E sofre, somente sofre.

Felipe Fortes

Curto Poema VI


A onda

Uma onda
Tão suave,
Doce e imensa,
Ilustre e indefesa,
Fera da imensidão,
Depois de partir,
Leva a sensação
De perda
E nos deixa
A saudade
Entre a alma
E o coração.

Felipe Fortes 

Curto Poema V


O Fim

Aos tempos passados,
E ao remoto presente,
Que a dor que fere e deixa dormente
Não mais exista.
Que ela desapareça na tarde chuvosa
E saia de manso à prosa do vento
Acalentado, moroso e possessivo.
Que ela se espante com o vazio
Tão vasto em rios e lagos.
Quando em mentes de sapos e lagartos,
Que esta dor se emocione com os amantes
A recolher flores nos cantos e beiradas
Da estrada que corre o rio da vida.
E que mesmo em transe,
Mesmo com a irrealidade cobrindo-lhes a vista,
Possam eles merecer o amor,
Antes de tudo,
Antes da fadiga e da rotina.
Antes do fim... do fim.


Felipe Fortes

Curto Poema IV


Da penetração do mundo na alma

Parte de mim era um momento,
Parte de mim era o inteiro.
E nestas partes que se apressavam,
Seguiam, ainda mais, meus tormentos.
E minhas falas eram caladas,
E calados eram os meus gestos;
E meu pensar era dito em falas
De tudo o que parecia-me objeto.
E os formatos não me traziam cor,
Não perturbavam as minhas formas
E nem careciam de meu fervor.
O meu pensar seguia a se esmerar
Na linha atrás do horizonte -
Não perto do norte,
Mas próximo ao fim do jardim.

Felipe Fortes

Curto Poema III


Ímpeto

Ele, se acalentado, freia-nos a vida.
Mas, se liberto, falha-nos a alma.

Se ele se cala, cala-nos o sabor.
Se ele nos cala, perdemos o labor.

Felipe Forte

Curto Poema II


A Minha Benção

Que a flácida inveja permaneça em tuas ventas,
E que lhe faça a justa medida entre o ser e o tempo;

Que a imune reputação que insiste em assustá-lo
Não mais seja percebida por tuas retinas;

Que o incomodo de ater-se aos seres que o cercam
Apodreçam a tua esperança e a vontade de viver;

Que a injustiça cometida em aparições múltiplas
Aqueça, ainda mais, os infortúnios de tua alma;

Que a contraposição de seu próprio existir
Concentre-se em apenas fazê-lo o mal necessário;

Que os pólos mensuradores de graciosidade
Revelem tua insensatez aos que afloram tuas qualidades;

Que os justos, enfim, percebam-se enganados,
E a justiça deles não provoque a ira de inocentes;

Que a finalidade de tuas iniciativas
Seja, em suma, a fórmula de teu esquecimento.

Felipe Fortes

 

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